Os Jogos Olímpicos contados pelos cartazes
Os Jogos Olímpicos contados através dos seus cartazes — eis um novo mashup que hoje publico. O ponto de partida foi a série de posts que Leonel Vicente apresentou ao longo dos últimos dia no Memória Virtual, antecipando a XXIX Olimpíada que amanhã começa em Pequim (a secção Jogos Olímpicos).
A peça, mais uma de jornalismo multimedia, intitula-se Os Cartazes dos Jogos Olímpicos contam uma história. Uma vez que tem autoria conjunta, é publicada em simultâneo no C! e no Memória Virtual, aqui. É também uma estreia na publicação online portuguesa, onde escasseiam os exemplos de peças multimedia, para mais produzidas em colaboração.
Nela se apresentam os cartazes oficiais das Olimpíadas modernas, atravessando o século XX. O Leonel elaborou as sínteses sobre cada edição, tendo particular atenção às participações portuguesas. Cada edição tem a sua própria página e dela consta também o topo dos países medalhados — e a propósito de Jogos Olímpicos, medalhas e jornalismo multimedia, não perca o excelente Map of Olympic Medals animado que o New York Times produziu (uma vez mais, um exemplo para todos os jornais).
O carrossel dos cartazes permite uma visão diacrónica, única e curiosa, da evolução do grafismo ao longo dos últimos 110 anos. Os meus favoritos: Paris 1924, Amesterdão 1928, Londres 1948 e Helsínquia 1952 (um must, ambos!), e Atlanta 1996. Também gosto do de Pequim 2008, mas não o suficiente para o colocar nos favoritos.
Se encontrar uma forma de o fazer que consuma pouco tempo, coloco um sistema de votação dos cartazes, para vermos qual é o eleito pelos leitores.
A Grande Medida Para Restituir A Credibilidade Ao Partido
Manuela Ferreira Leite tomou finalmente A Grande Medida Para Restituir A Credibilidade Ao Partido Social Democrata. Uma medida capaz de, sozinha, roubar o partido dos braços do povo e entregá-lo à classe dos intelectuais, onde sempre devia ter estado desde a primeira hora, é tempo de corrigir a deriva populista iniciada com Sá Carneiro.
Manuela Ferreira Leite não vai à festa do Pontal. As “intervenções políticas de fundo”, fá-las-á na Universidade de Verão.
Ao contrário de Ângelo Correia (e outros dirigentes e não-dirigentes que ficaram perplexos), que a acusa de abandonar o partido, eu aplaudo de pé! Grande Manuela!
Violência na esfera bloguista
Uma dupla citação de uma série que vai em 2 posts, mas que espero que João Lopes prolongue.
“Um dos efeitos mais sinistros da proliferação de blogs “pessoais” (de confessionalismo mais ou menos patético e, na sua esmagadora maioria, anónimos) é a quotidiana desvalorização do pensamento crítico.
Claro que não se trata de um fenómeno exclusivo da esfera bloguista. Longe disso. Desde os reality shows à imprensa dos “famosos”, a arte de pensar (o gosto e o prazer de a praticar) é hoje atacada de todos os lados e, importa reconhecê-lo, com poderosíssimas armas económicas e mediáticas — a indigência intelectual é mesmo promovida como um signo de moda e superioridade social“.
Violência dos blogs (2)
“A violência que se generalizou na esfera bloguista obedece a três regras fundamentais:
1 - elege o insulto e a difamação como leis “informativas”;
2 - cultiva o anonimato;
3 - repele qualquer possível réstea de solidariedade humana”
Violência dos blogs (1)
Imprensa gratuita: quadro da circulação em Portugal
O artigo que escrevi para o Público sobre a imprensa gratuita está agendado para sair no próximo sábado, dia 9, no P2. já fiz o respectivo lançamento na semana passada, num post intitulado Jornais gratuitos: artigo no Público com mashup de lançamento aqui, onde apresentei também um mashup em que usei alguma da informação recolhida para a peça no Público, nomeadamente sobre os cinco principais jornais gratuitos com distribuição em Portugal.
Ao longo dos dias tenho vindo a melhorar o mashup, que está agora perto da versão definitiva. A última entrada foi um quadro com a circulação dos gratuitos em Portugal, segundo os últimos números:
Actualmente o mashup apresenta as capas das últimas edições de cada jornal num carousel, com informação lateral sobre cada título, uma recolha das últimas notícias (nos casos em que há feed RSS), os links para os respectivos sites, atalhos para puxar cada edição em PDF (nos casos em que é possível, que são a maioria) e ainda uma imagem da capa com maior detalhe.
O mashup escaparate: jornais gratuitos de hoje fora pensado inicialmente apenas para a função de lançar o artigo a sair no P2 — mas acabei por ir adicionando features e melhorando-o, pelo que o manterei como um micro-projecto do C!. Estou agora na expectativa de ver até que ponto ele gera interesse entre os leitores.
O falhanço do capitalismo e o retorno da política
Para onde quer que eu olhe ultimamente, vejo sinais do regresso ao Estado. Não é só nas democracias sul americanas, como a Venezuela, onde os autóctones, como Chavez — que acaba de nacionalizar um banco –, se vão vingando do que os donos do dinheiro lhes fizeram com a cobertura político-militar dos Estados Unidos.
Não é só nos países BRIC, não por acaso todos eles dirigidos por pulsos firmes (e musculados em dois casos).
No próprio coração do sistema capitalista começam a despontar, claros para quem os queira ver, sinais de reforço do papel do Estado.
Quando a economia de planificação central soçobrou todos desataram a cantar hinos ao capitalismo e ao mercado. Mas sempre permaneceu claro para mim que era absurdo acreditar que os problemas das maiorias se resolveriam por redobrarmos a defesa dos interesses das ínfimas minorias — e o tempo encarregou-se de me dar razão: CONTINUAÇÃO
Batman: O Cavaleiro das Trevas em dois períodos
Fomos ver o último Batman, O Cavaleiro Das Trevas (The Dark Knight). É muito simples descrever o que senti. Dois períodos.
Um. Dá para perceber onde gastaram eles a horrível pipa de massa que o filme custou. Foram 185 milhões de dólares bem gastos.
Dois. Dá para perceber porque é que a bilheteira pagou o filme nos primeiros 3 dias de exibição — com um recorde que constitui por si só um marco para o cinema do século XXI: 6,2 milhões de dólares do primeiro fim de semana vieram do box office do Imax, uma das principais armas para que a indústria do cinema resista ao assalto do P2P.
Ok, uma adenda: boa parte do resultado deve-se ao infeliz Heath Ledger. A película torná-lo-á imortal. Com razão. O seu Joker faz-nos esquecer a criação original do super hiper mega ultra fabuloso actor Jack Nicholson para o primeiro Batman moderno (o de Tim Burton em 1989 com Michael Keaton a usar a mácara das orelhinhas que fez as delícias da Ana). Sim, leu bem. O personagem de Nicholson é (justamente) legendário e Ledger cometeu a proeza, rara no cinema, de recriar o personagem mantendo as características essenciais mas descartando tudo o mais (e se era fácil limitar-se a homenagear os tiques de Nicholson) e construindo um Joker irrepetível que é o dele e sendo diferente do de Nicholson é igualmente um excelente, irrepreensível trabalho de representação.
Também gostei mais de Christian Bale que dos anteriores esquizofrénicos alados. Rosto fechado por rosto fechado, o seu é mais expressivo que o de Keaton. E tem definitivamente mais densidade — o que, para um filme pipoca, é obra.
O triunvirato (ou: quem a topava bem era o Zé Manel)
Já está visto o fundo ao tacho do PSD versão triunvirato. Dois spinners que controlam os opinion-makers e mandam avançar e recuar as tropas, sempre as mesmas e muito escassas, para ocupar espaço mediático em função das necessidades. E uma “líder” que está bem é calada e sempre que abre a boca o resultado é triste.
Ainda por cima, este triunvirato é uma formação de conveniência entre pessoas a quem não se conhece uma ideia política comum. Aliás, a uma delas, José Pacheco Pereira, não se conhece uma ideia política, ponto. A Marcelo Rebelo de Sousa conhecem-se princípios vagos de uma social-democracia século XX e doses de consenso centrista, e a Manuela Ferreira Leite o país conhece a profundidade política da gestão de mercearia. CONTINUAÇÃO









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